CIDOC – post final

Posted Outubro 21, 2009 by Alexandre Matos
Categories: CIDOC, Opinião

O tema da conferência anual do CIDOC este ano foi a “Documentación Siglo XXI: preservando y conectando la información de los bienes culturales“. Devo dizer que é um tema que está cada vez mais em cima da mesa. Hoje em dia os museus não podem continuar isolados no que respeita à informação e conhecimento que produzem em relação a outros produtores do meio cultural como as bibliotecas e os arquivos. É sabido, no entanto, que estes dois últimos estão bastante mais avançados no que diz respeito à documentação das suas “colecções” por diversas razões que aqui não importa referir. Mas não é possível esquecer o enorme esforço feito na comunidade museológica, nomeadamente do CIDOC, para corrigir este atraso e dotar os museus de ferramentas que lhes permitam estar quase em pé de igualdade com todos os seus parceiros no que diz respeito a este tema.

Quase todas as comunicações apresentadas este ano eram dirigidas para os resultados em termos de investigações ou projectos práticos nos quais o objectivo era evidenciar as potencialidades da ligação entre diversos sistemas/bases de dados que permitiam uma complementariedade na informação que os museus disponibilizam na web. Desde apresentaçõe mais técnicas, como a do Bricks Projects que já se encontra online, até à apresentação do enorme e complexo projecto que se está a desenvolver no Chile para a tradução para espanhol do Art & Architecture Thesaurus do Getty Institute (a responsável é a Dr. Lina Nagel), passando por apresentações de projectos específicos de uma região, como o que eu e o Fernando Cabral fomos apresentar em parceria com o Paulo Lima da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, ou de um país de que foi exemplo a apresentação do sistema central de documentação dos museus da Estónia. Tudo teve o seu lugar, mas nesta conferência os dois assuntos que mais me despertaram interesse foram o workshop sobre ObjectID e a grande discussão, acalentada e orientada pelas Dr.ª Murtha Baca e Drª Lina Nagel, sobre thesaurus e a sua importante contribuição para os sistemas de documetação de museus, blibliotecas e arquivos.

Quanto ao ObjectID, norma que penso ser já bastante conhecida de todos, a discussão centrou-se no objectivo principal desta norma: criar uma base de entendimento sobre informação mínima dos objectos que os permita identificar em caso de roubo. Ou seja cada museu ter, no seu sistema de informação, um conjunto de campos que identifiquem sem margem de erro todas as pelas da sua colecção que possa ser usado no caso de furto, por exemplo, para que as polícias possam desempenhar o seu papel.

No que diz respeito aos thesauri a discussão é bem mais ampla que a anterior. Ampla e interessante, penso eu. Em Portugal é um tema que teima em ser constantemente esquecido. Há alguns projectos pontuais, dos quais destacaria a publicação do thesaurus de objectos religiosos, os thesauri que são utilizados no âmbito dos Museus dos Açores e alguns projectos que agora estão a ser trabalhados como o dos instrumentos científicos (Doutora Marta Lourenço), da azulejaria (Doutor Vitor Serrão). Perdoem-me se me esqueço de algum, mas é por simples desconhecimento que existem*. No entanto, não há uma verdadeira aposta nesta importante área. A responsabilidade de criar este tipo de projectos, pela sua complexidade e importância, deve estar sempre da parte das tutelas dos museus, mas também poderia ser uma boa oportunidade para as associações profissionais promoverem a sua importância e reunirem o importante contributo dos seus associados nesta matéria. A criação destes projectos deveria ser, segundo me disseram durante a conferência, feita em parceria com universidades, dado que o tipo de conhecimentos que é necessário ser bastante alargado. Linguística, línguas, história, ciências exactas, informática, etc. são alguns dos importantes contributos que importa reunir para um projecto ser bem sucedido.

Na minha opinião há uma janela de oportunidade que se abre neste momento. Algo que pretendo propor à Universidade do Porto: a tradução do A&AT para português, em colaboração estreita com o Getty Institute. Penso que é projecto possível no âmbito da Universidade e para o qual seria relativamente simples arranjar fundos. Uma ideia que pretendo apresentar em breve, mas que fica já aqui expressa.

Para finalizar importa também referir que a conferência contou este ano com um importante patrocínio do Getty Institute que permitiu a um grupo relativamente extenso de pessoas participar nos trabalhos. Com estas bolsas o CIDOC conseguiu financiar a viagem e estadia (penso eu) de pessoas do Benim, India, Zimbabwe, Costa do Marfim, Zâmbia, Bangladesh e também de alguns países da américa do sul.

Para o ano a conferência realiza-se em Xangai, integra os trabalhos da conferência trienal do ICOM, e eu confesso que quero ir (embora ainda tenha presentes as 14 horas de avião até Santiago). Tem sido momentos importantes para aprender.

CIDOC 2009 – Uma boa experiência

Posted Outubro 8, 2009 by Alexandre Matos
Categories: CIDOC

Devo começar este texto sobre o CIDOC com uma referência importante em relação ao país de acolhimento da conferência deste ano, o Chile, e à comissão organizadora Chilena, na pessoa da Dr.ª Lina Nagel. Um e outro foram excepcionais em providenciar uma óptima experiência, pelo menos para mim, num dos países da América do Sul que mais vontade tinha de conhecer (a seguir ao Brasil e à Argentina).

O Chile, aliás o vale do Mapocho (onde fica Santiago), Valparaíso e Viña del Mar, uma vez que só estive nestes sítios, é uma viagem a não perder. Santiago é uma cidade bastante europeia, diferente do Rio, por exemplo, mas ainda assim com aquele jeito que caracteriza as cidades sul americanas. É animada, as pessoas são simpáticas, é grande e espaçosa, é poluída (tem 7 milhões a residir à sua volta), tem uma área antiga e uma parte nova e mais cosmopolita, mas não deixa de ser uma cidade do novo mundo. Eu devo confessar que gostei muito de Santiago. Viña del Mar é uma cidade de praia, não me pareceu nada de especial, mas tem um líndissimo palácio perto do local onde se costuma realizar o famoso festival de música de Viña del Mar (que é um anfiteatro fantástico). Vejam as imagens.

Valparaíso é uma cidade classificada como património da humanidade pela UNESCO. Parecidíssima com o nosso Porto. Fica toda espraiada nas encostas de diferentes Cierros (colinas) e vista do Porto, ou da casa do poeta Pablo Neruda tem uma beleza verdadeiramente preciosa. Dizem que a noite de Valparaíso é uma das melhores da América do Sul, mas infelizmente não tive como comprovar.

Quanto ao comité que organizou o CIDOC não podia deixar de lhes enviar daqui de Portugal um enorme muito obrigado pela forma como nos receberam. Um obrigado muito especial vai para Marisol Richter e para Lina Nagel. Foram formidáveis em todos os aspectos.

Os próximos post falarão da conferência em si e de algumas apresentações que me pareceram muito interessantes.

Último dia do CIDOC 2009

Posted Outubro 1, 2009 by Alexandre Matos
Categories: CIDOC

Devo dizer-vos que fico cada vez mais contente por ter esta oportunidade de vir ao CIDOC. Valem bem a pena as imensas horas que se passam dentro do avião para chegar ao Chile. São vários os papers muito interessantes que nos mostram dificuldades, vantagens, problemas e soluções na área da documentação de museus por todo o mundo.

Devo dizer-vos que ainda me impressiona ver como alguns países estão tão à nossa frente e outros exactamente o contrário, tão atrasados nesta matéria fruto das mais variadas circunstâncias.

Depois escrevo, com mais tempo, sobre toda a conferência e algumas contribuições a que assisti.

CIDOC 2009

Posted Setembro 28, 2009 by Alexandre Matos
Categories: CIDOC

Já fizemos a nossa apresentação (prometo que depois coloco aqui os slides e o video) e, com um pouco de orgulho, devo dizer que várias pessoas nos vieram cumprimentar e falar sobre o projecto e sobre similares problemas que têm nas instituições onde trabalham. Uma rapariga da Biblioteca Nacional do Chile, curiosamente, está a trabalhar sobre um fundo de literatura popular (literatura de cordel) e ficou muito agradada com a nossa abordagem ao assunto.

É um estímulo importante saber que fomos de alguma forma úteis e um estímulo ainda maior saber que podemos aprender cada vez mais com as pessoas que vamos conhecendo por aqui.

CIDOC 2009

Posted Setembro 28, 2009 by Alexandre Matos
Categories: CIDOC

Ontem foi dia de rever velhos amigos do ano passado. Até ao final da tarde estive com poucas esperanças de ver alguém. O Dominique da Suiça e a Helena de Itália, um bacano do Bangladesh (cujo nome me recuso a escrever) e também as costumeiras presenças na conferência: o Nick Crofts, o Martin Doer, etc e tal.

A manhã correu muito bem. Aprender mais sobre o CIDOC CRM com quem esteve e está envolvido directamente no seu desenvolvimento é uma oportunidade única. A tarde foi de trabalho com o boss para acabar e rever a comunicação que vamos apresentar mais logo, às 14:40 locais. E finalizamos com uma visita a um museu local onde fui conhecendo pessoas do Zimbabwe, da Zâmbia, da Colômbia, do Benim, da Costa do Marfim, do PEru, etc… etc… e tal. É uma das melhores coisas do CIDOC. Conhecer pessoas de sítios tão diferentes é uma coisa absolutamente enriquecedora.

À noite fomos jantar pertinho do hotel. Estava um frio do camandro e a vontade de uma volta maior perdeu contra o conforto. Um bom jantar com o Dominique, a Helena e o Fernando que deu para falar sobre o CIDOC do ano passado, do SPECTRUM e das suas traduções (temos que falar Alice e Paula, temos mesmo que falar) e de um monte de assuntos interessantes.

CIDOC 2009

Posted Setembro 27, 2009 by Alexandre Matos
Categories: CIDOC

Depois de uns dias de visita ao Chile começou hoje de manhã (escrevo este post às 12:00 do Chile, 17:00 de Portugal) a conferência anual do CIDOC com um workshop sobre o CIDOC CRM. Uma necessidade de há muito sentida pela comunidade museológica internacional, dado que o CRM é um documento quase impenetrável para a maioria de nós.

A primeira parte do workshop tentou explicar de forma simples o que é o CIDOC CRM. O que são as suas 84 classes e as suas centro e trinta e tal propriedades, como as utilizar na documentação de colecções e, principalmente, a importância e relevância da criação de uma ontologia tão complexa como o é esta em termos dos benefícios que poderá trazer no cruzamento de informação entendível pelas mais diversas áreas.

Para mais tarde fica uma explicação (que tentarei fazer de forma simples) sobre o CIDOC CRM.

Telegrama

Posted Setembro 23, 2009 by Alexandre Matos
Categories: CIDOC, Conferências

Estou de saída para Santiago do Chile. STOP. Vou participar na conferência anual do CIDOC. STOP. Espero conseguir ir postando aqui as aventuras no Chile. STOP. E também os momentos mais relevantes da conferência. STOP. Como não tenho cumprido com as sucessivas promessas*. STOP. Pode ser que só vos escreva assim que retornar. STOP. Mas darei notícias com toda a certeza.STOP.

*Se não me ponho a pau ainda me transformo em político!

Nunca tenho oportunidade

Posted Setembro 15, 2009 by Alexandre Matos
Categories: Notícias

Ando há anos a tentar ir visitar as galerias romanas da Rua da Prata. Tenho curiosidade em conhecer o sítio e passar um tempo por baixo das ruas da baixa pombalina. Não me recordo de quem me contou uma visita e e disse que realmente valia  a pena o tempo passado ali.

Este ano, uma vez mais, não vou poder estar em Lisboa nos dias em que estão abertas ao público, mas deixo aqui a notícia para quem puder.

Perdidos e achados

Posted Agosto 31, 2009 by Alexandre Matos
Categories: Notícias

Não… ainda não é desta que retomo a escrita do blog com cabeça, tronco e membros (principalmente a cabeça), mas não posso deixar passar uma notícia como a do “globo perdido de Schissler” que veio à luz dos meus olhos pelo Ípsilon e que me dá uma sensação de satisfação por ter sido encontrada e de curiosidade por ter demorado tanto tempo a chamar a atenção.

Love Art na National Gallery

Posted Julho 27, 2009 by Alexandre Matos
Categories: Tecnologia

Estou ainda a experimentar, mas gostava de dar a dica a quem for passar uns dias a Londres e for o feliz proprietário de um Ipod Touch ou de um Iphone: Love Art é uma app desenvolvida pela National Gallery que permite ter ao alcance dos dedos uma visita guiada pelas mais importantes peças da colecção deste prestigiado museu.

Apresentada da seguinte forma no site da National Gallery:

The National Gallery is offering art lovers the opportunity to put works by Leonardo and Van Gogh in their pocket. A new application, called Love Art, allows iPhone and iTouch users to explore 250 of the Gallery’s best-loved paintings in the palm of their hand.

Take an unforgettable journey around the National Gallery. Zoom in to explore fine details and enjoy over three hours of video and audio content.

You can listen to the stories behind the masterpieces in insightful interviews with artists, writers and experts including:

  • National Gallery Director Nicholas Penny
  • Dramatist Robin Brooks
  • Artist Maggie Hambling
  • Author Tracy Chevalier

The National Gallery is the first major art gallery in the world to offer a mini-tour using an iPhone application.

Experimentem e digam algo…